Chamada de resumos

O Programa de Pós-Graduação em Linguagens, Mídia e Arte, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, convida docentes e pesquisadores, em nível de graduação e pós-graduação, a apresentar trabalhos que relatem suas pesquisas e/ou experiências voltadas à temática geral do evento: A crise do humanismo e as consequências para a democracia.

Critérios de seleção de trabalhos
Os resumos devem conter título em negrito; o nome do(s) autor(es), assim como sua formação principal e filiação; tamanho entre 300 e 500 palavras, fonte Times New Roman 11, justificado, parágrafo simples; apresentar de três a cinco palavras-chave; e ser encaminhado até o dia 29/04 para um dos 11 GTs de interesse propostos abaixo, organizados por professores de diferentes PPGs e IES. 

A submissão dever ser feita por meio da plataforma Easychair neste link. Ao enviar, escolha apenas um GT. O trabalho deve ser inserido no modelo abaixo:

Os trabalhos são avaliados pelos coordenadores dos GTs que também estão cadastrados pela plataforma. Cada trabalho é avaliado por pelo menos dois avaliadores. Os trabalhos serão julgados de acordo com a aderência ao tema do evento, a proposta do GT, as normas de formatação e a originalidade do trabalho.

Os resultados e a programação final são divulgados por meio do site http://www.culturasativistas.wordpress.com no dia 13/05.

Grupos de Trabalho (GTs):

GT 1 – Corporeidade, cidade e redes sociais virtuais

São múltiplas as formas como a corporeidade tem sido resignificada nas relações mediadas e situadas nas redes sociais virtuais. Trata-se de novas formas de se relacionar com o mundo, com o Outro e de compreensão do Si. Este grupo de trabalho busca abrigar as pesquisas e reflexões sobre os impactos e as reverberações nas formas de exposição, reconhecimento, identidade e diferença no contexto do pós-humanismo, seja pelo agenciamento dos corpos, suas representações ou objetificação. Qual o lugar do corpo neste contexto? Os movimentos socioculturais urbanos, por exemplo, propõem outras formas de sociabilidade que são possibilitadas pelas redes sociais virtuais, provocando um duplo agenciamento do corpo, na rede e na cidade. O prolongamento desta corporeidade, bem como sua reverberação ou redefinição, projetam relações diacrônicas e/ou sincrônicas as quais nos provocam a repensar o sentido do corpo e da cidade.

Coordenadores: Antonio Bernardes (UFF), Fernanda Cristina de Paula (IFMG) e Eduardo Marandola Jr. (FCA/Unicamp)

GT 2 – Crises e (re)configurações do sistema midiático na democracia contemporânea

A recente experiência brasileira de eleger um candidato à Presidência da República sem simpatia e apoio por parte do sistema de mídia tradicional é um claro sintoma da redução do grau de influência dos meios tradicionais em detrimento do potencial de mobilização adquirido pelas redes sociais digitais em processos eleitorais. O fenômeno aponta para questões sensíveis à democracia, como o surgimento e proliferação de “fake news” ; o incentivo à polarização de extremos, com a decorrente perda dos territórios de centro; a predominância de discursos entoados pela emoção; a fusão entre o público e o privado no campo político; os novos papéis que se reservam aos meios tradicionais, como o jornal, a TV e o rádio; a (des)profissionalização  da política e o sentido ético das campanhas eleitorais; os níveis de envolvimento do eleitor na democracia representativa; e a utópica hipótese de uma democracia participativa a partir das tecnologias de informação e comunicação em permanente desenvolvimento.

Coordenadores: Carlos Alberto Zanotti, César Pereira e Rogério Bazi (PPG Limiar/PUC-Campinas).

GT 3 – Da memória à nuvem: composição, arquivamento, performance e difusão de poesia.

Através dos tempos, a poesia foi preparada como canto, rito, dança, cena, página ou link. O poema correu de boca em boca como patrimônio imaterial dos povos. O poema circulou por manuscritos inseridos em práticas de leitura com oralização. O poema pode conjugar-se à música de orquestra, à canção, à declamação aristocrática ou à entonação comunitária. Os suportes tanto se sucederam, conforme as mudanças técnicas e civilizacionais, quanto dividiram os espaços sociais, pois as novas matrizes comunicacionais não necessariamente neutralizam as antigas. A web, justamente, parece somar, de modo jamais visto antes, instrumentos de armazenagem, democratização e simultaneidade de produções e recepções do fazer poético. Nela, a exibição do improvisador iletrado disputa likes com as letras do poeta culto. O objetivo deste grupo de trabalho, portanto, é discutir diferentes sistemas do texto poético, da memória à nuvem, em suas continuidades e descontinuidades em termos de composição, performance e difusão como texto, voz e vídeo.

Coordenadores: Pedro Marques (UNIFESP) e Francine Ricieri (UNIFESP)

GT 4 – Entre (dis)cursos: a formação das identidades e da memória em tempos e espaços (não) digitais.

A proposta desse GT é trazer à discussão trabalhos que dialoguem com os processos de construção de memória em contextos espaço-temporais diversos, que se materializam em diferentes discursos, como os da mídia, da política, de gêneros, da literatura, indiciando traços da subjetividade e das identidades que nesses ambientes se constroem e entendendo a leitura dos arquivos como possibilidades de interpretação marcadas por uma vontade de verdade e pelas redes de saber-poder. Trabalhos que se dediquem ao estudo de narrativas, de autonarrativas e/ou de espaços heterotópicos que se mostrem relevantes na formação de identidades e de modos de subjetivação são alguns dos focos deste GT.

Coordenadoras: Eliane Azzari, Eliane Righi e Maria de Fátima Amarante (PPG Limiar/PUC-Campinas).

GT 5 –  Espaço urbano e redes digitais

A informatização da vida cotidiana é realidade e tende a expandir-se no futuro.  No meio urbano faz-se presente no acesso a bens e serviços públicos e na própria vivência do espaço público. São muitos os sistemas e os comportamentos transformados pela informatização, desde a vigilância até o acesso wifi nos espaços públicos. Como o espaço urbano se transformou e se transformará com a contínua inserção da informatização e da participação dos cidadãos nas redes sociais? Como estas transformações afetam as pessoas e as relações políticas e sociais?  Sexo, a faixa etária, a localização da moradia, o perfil profissional e sociocultural– quais as homogeneizações e as diferenciações, os ganhos e perdas trazidos pela automação, acesso remoto a serviços e pela participação nas redes sociais?

Coordenadores:  Laura Machado de Mello Bueno, Luiz Augusto Maia Costa, Jane Victal Ferreira e Manoel Lemes da Silva Neto (professores do corpo docente permanente do POSURB-ARQ, PUC-Campinas)

GT 6 – Extremidades: experimentos críticos, curatoriais e artísticos

Em uma era associada a contínuos deslocamentos, à decomposicão e à incerteza, a escrita da crítica é aqui ativada como experimento, na tentativa de produzir situações de risco no que diz respeito a leituras de trabalhos em trânsito, limítrofes e instáveis. Como experimentos críticos, tratamos de possíveis caminhos tanto para o estudo da crítica e da curadoria, quanto para o estudo em arte, em poéticas e em práticas midiáticas. Temos como objetivo explorar, em especial, questões relacionadas às redes audiovisuais, ao cinema, à performance e à arte contemporânea como práticas em crise, atravessadas por procedimentos como os da desconstrução, contaminação e compartilhamento.

Coordenadores: Alessandra Bocchio, Carlos Eduardo Nogueira, Christine Mello e Larissa Macêdo  (Grupo Extremidades/PUC-SP)

GT 7 – Informação e educação na era da pós-verdade

A chamada era da pós-verdade, em que o apelo às crenças subjetivas mina a confiança em fatos objetivos, tem sido objeto de discussão e análises nos âmbitos acadêmico, social e midiático. O tema se mostra em evidência diante das ameaças representadas pela desinformação disseminada em forma de fake news, que, segundo alguns estudos recentes, têm influenciado as conversações na esfera pública, têm permitido a manipulação do debate político e, consequentemente, podem ter influenciado resultados eleitorais. Estudo publicado pela revista Science em 2018 por Vosoughi et al. revelou que os seres humanos são os responsáveis pela disseminação em larga escala das chamadas fake news.  Para alguns, no sentido de enfrentar esses e outros desafios trazidos pela ampla disseminação de notícias falsas por meio das redes sociais e de aplicativos mensageiros, a educação ou letramento midiático se apresentam como possibilidades de combater a raiz do problema. Há também quem defenda, do ponto de vista do jornalismo, a necessidade de fortalecer a prática da checagem de fatos, ou fact-checking, em resposta à divulgação em massa de informações não verificadas. Esse grupo de trabalho tem por objetivo reunir trabalhos e pesquisas que se lancem sobre os temas: pós-verdade, fake news, fact-checking, educação e letramento midiático.

Coordenação: Alberto Freitas Filho, Pollyana Ferrari (TIDD/PUC-SP)

GT 8 – Media Ecology e a busca por equilíbrio em uma vida altamente conectada

Os smartphones alteraram não apenas a maneira como costumávamos usar o telefone, mudaram a forma como nos relacionamos uns com os outros. Nesse contexto, quais são os desafios de uma vida altamente conectada? O que as telas estão fazendo de nós e o que estamos fazendo uns com os outros? Como os meios de comunicação afetam a percepção, a compreensão, o sentimento e o valor humanos? Tais questões traduzem o que pretendemos investigar nesse grupo de trabalho, amparados pelas contribuições teóricas de autores como Marshall Mcluhan (1911- 1980), Eric Mcluhan (1944- 2008), Derrick de Kerckhove (1944) e Douglas Rushkoff (1961). Além de trabalhos relacionados à pesquisa de Media Ecology, serão acolhidas também propostas que dialoguem com as temáticas sobre resistência e desintoxicação digital, ecocrítica e mídia tática.

Coordenadores: Denise Lourenço (ESAMC) e Ronaldo Barbosa (Unicamp)

GT 9 – Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais

Reflexões teóricas e metodológicas, bem como resultados de trabalhos empíricos sobre a cidade como locus dos processos culturais e suas relações com a mídia formam o universo de reflexão e debate acadêmico deste grupo de trabalho. Compõem o escopo de discussão pesquisas que considerem a cidade como espaço de circulação das práticas socioculturais, que busquem pensar os modos como tais fenômenos delimitam o espaço (concreto e imaginário) e condicionam a geração de sentidos nos ambientes urbanos.

Coordenadores: Paulo Celso Silva e Mara Rovida, Grupo de Pesquisa Mídia, Cidade e Práticas Socioculturais do PPG em Comunicação e Cultura (UNISO)

GT 10 – Pós-imagem

A imagem contemporânea, entre representação e simulação, abandona a estabilidade ontológica para constituir-se no espaço-tempo das interconexões em rede. Entre protocolos, linguagens, algoritmos, materialidades e técnicas, a imagem recusa a condição de referência para potencializar outras realidades, modos discursivos, experiências perceptivas. Importam as produções artísticas que mobilizam uma noção amplificada sobre o termo tecnologia, não somente vinculado à dimensão computacional, pelo exercício da distensão e contaminação entre processos históricos e contemporâneos. Assim, interessa-nos discutir sobre a imagem e suas operações tecnológicas para a constituição poética.

Coordenadoras: Luisa Paraguai e Paula Almozara (PPG Limiar/PUC-Campinas)

GT 11 – Redes Digitais e o Exercício da Democracia

Por se tratar de necessidade, e não de privilégio ou luxo (FERRARI, 2016), o acesso a informação deve ser tratado com atenção. As primeiras décadas do século XXI mostram que a internet, e nela as redes sociais, contribuem de forma significativa com a troca de informações e tem reconfigurado a comunicação. Os bancos de dados e algoritmos têm transformado o jornalismo, a publicidade e as relações públicas. Bauman (2014 apud ALMEIDA, 2014), inclusive, acredita na privação do acesso à internet como uma injustiça social. Pariser (2012), por sua vez, irá tratar das consequências do uso das redes sociais a partir da ótica da tecnologia, quando esta interfere na existência das bolhas sociais. Inegável é a responsabilidade que as redes sociais digitais carregam (e carregarão nos próximos anos) frente à democracia e ao direito de expressão dos cidadãos que constituem um governo regido por ela. Esse Grupo de Trabalho tem por objetivo identificar trabalhos e pesquisas que visem teorizar, caracterizar ou discutir o papel de estratégias e fenômenos nas redes sociais para o exercício da democracia.

Coordenação: Anselmo Penha, Luciana Gonçalves e Pollyana Ferrari (TIDD, PUC-SP)

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